“Olá,

Estou em Itapevi desde que nasci. Não tenho uma boa educação e nem gozo de boa saúde, mas ainda estou de pé e na luta, apesar da insegurança sobre o que o futuro me reserva. Sempre dependi dos meus filhos.

Tenho muitos deles, alguns são médicos, policiais, professores, vendedores, motoristas e etc. Alguns bens de vida e outros não. A maioria não.
Alguns se preocupam comigo e outros não. A maioria não. Alguns querem me ver muito bem, outros me fazem sentir cada vez pior. Todos eles tem uma dívida comigo, mas poucos a reconhecem.

Tenho 56 anos, mas me sinto muito jovem em comparação aos meus vizinhos. Acho que ainda não atingi todo o meu potencial.

Algumas pessoas dizem que sou velho demais para pensar nisso e que a culpa do meu atual estado é falta de planejamento. Talvez elas estejam certas, mas eu prefiro pensar que não.

Apesar de meus vizinhos terem a mesma idade ou mais do que eu, minha saúde é uma das piores. Careço de bastante cuidado e, infelizmente, este é negligenciado por alguns dos meus filhos.

Como não tenho uma boa educação, não sou muito bom em transmitir isso para os meus filhos. Eles sempre reclamam disso, mas fazem muito pouco para mudar este fato.

Confesso que sou muito inseguro, mas devo isso ao fato de meus filhos não me respeitarem. Tudo o que faço, a maioria se mostra descontente.

Meus filhos vivem reclamando que não lhes dei oportunidade, mas sempre achei que oportunidade deve ser criada por cada um. Nunca dei o peixe, sempre ensinei a pescar. Talvez, seja por isso que muitos me abandonam. Poucos que me deixam, voltam para agradecer.

Além disso, muitos deles, recorrem a meios ilícito para obter vantagens sobre os demais e, muitas vezes, estes atos são realizados diretamente contra. Isso me deixa muito inseguro.

Infelizmente, este sou eu. Sem saúde, sem educação, sem segurança… Dependo dos meus filhos para tudo.

Por isso, meu filho, lhe escrevo esta carta. Espero que este breve relato sobre a minha atual situação, possa tocar-lhe seu coração e, por tudo que lhe fiz e lhe posso fazer, retribua este afeto que tenho por ti.

Não se preocupe, sempre que possível, lhe enviarei mais cartas sobre a minha situação. Eu só peço que, por favor, não me abandone.

Com carinho,

Sr. Itapevi”